Como Escolher um Ar Condicionado: BTU, m² e eficiência (sem complicar)

Como Escolher um Ar Condicionado: BTU, m² e eficiência (sem complicar)

Escolher um ar condicionado não é só “9000 ou 12000 BTU”. Para acertar à primeira, precisa de 3 coisas: potência certa (para o tamanho e condições do espaço), boa eficiência (para gastar menos) e instalação adequada (para não perder desempenho).

Neste guia, fica com uma forma simples de calcular BTU por m², perceber o que interessa na etiqueta energética e evitar erros clássicos.


1) BTU, kW e o que significam na prática

BTU/h é uma medida de potência térmica (capacidade de arrefecer/aquecer). Em Portugal é comum ver “9000 BTU”, “12000 BTU”, etc.

Também vai ver potência em kW. Regra rápida:

  • 9000 BTU/h2,6 kW
  • 12000 BTU/h3,5 kW
  • 18000 BTU/h5,3 kW
  • 24000 BTU/h7,0 kW

Atalho: kW ≈ BTU/h ÷ 3412.


2) Cálculo rápido: quantos BTU por m²?

Como regra prática, use este intervalo:

  • 100 BTU/m² → casa bem isolada, pouca exposição solar, uso normal
  • 120 BTU/m² → “normal” na maioria dos casos
  • 140 BTU/m² → muita exposição solar, janelas grandes, isolamento fraco, cozinha/open space

Fórmula simples:
BTU necessários = Área (m²) × 100–140

Área (m²) BTU típico Uso comum
10–15 7000–9000 Quarto pequeno / escritório
15–25 9000–12000 Quarto grande / sala média
25–35 12000–18000 Sala grande
35–50 18000–24000 Open space / sala + cozinha

Quando é que este cálculo falha?

Falha quando o espaço “não é típico”. Ajuste para cima se tiver:

  • pé-direito alto (muito volume de ar);
  • janelas grandes e sol direto muitas horas;
  • isolamento fraco (casas antigas, caixilharia simples);
  • cozinha/open space (carga térmica extra);
  • várias pessoas no mesmo espaço durante muito tempo.

E ajuste para baixo se for um espaço muito bem isolado, com pouca exposição solar e uso leve.


3) Eficiência: o que interessa mesmo (para gastar menos)

Na etiqueta e ficha do produto, vai encontrar dois indicadores-chave:

  • SEER (eficiência sazonal em arrefecimento)
  • SCOP (eficiência sazonal em aquecimento, nos modelos com bomba de calor)

Regra prática: quanto maior SEER/SCOP, menor tende a ser o consumo para o mesmo conforto (comparando modelos equivalentes).

Inverter: vale a pena?

Na maioria das casas, sim. Um AC inverter ajusta a potência ao necessário (em vez de estar sempre a “liga/desliga”), o que normalmente dá:

  • temperatura mais estável;
  • menos picos de consumo;
  • menos ruído no uso contínuo.

Ruído (dB): não ignore

Especialmente em quartos. Compare o nível sonoro da unidade interior e exterior (a etiqueta costuma indicar valores). Um “silencioso” a sério nota-se muito à noite.


4) Single-split, multi-split ou portátil?

  • Single-split (1 interior + 1 exterior): melhor custo/eficiência para uma divisão principal.
  • Multi-split (várias interiores + 1 exterior): bom quando quer climatizar várias divisões sem encher a fachada de unidades exteriores.
  • Portátil: é solução de recurso. Normalmente é menos eficiente e mais ruidoso, mas pode dar jeito quando não dá para instalar exterior.

5) Erros comuns (que custam dinheiro)

  • Comprar potência a menos: nunca “chega lá”, trabalha sempre no máximo e gasta mais.
  • Comprar potência a mais: arrefece rápido demais, desliga, liga… menos conforto e pior eficiência em alguns cenários.
  • Ignorar instalação: tubagem mal dimensionada, má drenagem ou mau posicionamento = menos desempenho e mais problemas.
  • Não pensar no uso: se quer aquecer no inverno, olhe a sério para o SCOP e classe em aquecimento.

6) Mini-checklist antes de comprar

  • Área (m²) e altura do teto
  • Exposição solar e tipo de janelas
  • Isolamento (bom / médio / fraco)
  • Objetivo: só arrefecer ou também aquecimento?
  • Preferência de ruído (quarto vs sala)
  • Local da unidade exterior e percurso de instalação

Dica final

Se me disseres , pé-direito, exposição solar (N/S) e se é sala/quarto/open space, eu digo-te logo um intervalo de BTU “seguro” (com 2 opções: normal e conservadora).

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